O País em Pré-Campanha e a Política em Pré-Coma
A pré-campanha para as legislativas de 2025 está a ser, como era de esperar, um espectáculo deprimente. Tudo o que nela se passa já foi visto, já foi dito, já foi prometido, já foi desmentido, já foi esquecido. Não há novidade, não há surpresa, não há sequer um leve sobressalto de inteligência ou de cinismo eficaz. Há apenas uma espécie de coreografia decrépita, em que os partidos fingem que falam ao país, os candidatos fingem que representam qualquer coisa parecida com uma ideia, e o país, esse cadáver político que respira por hábito, finge que escuta. O que estamos a viver não é política: é o simulacro burocrático de uma democracia que já não acredita em si própria. Pode dizer-se que esta é uma “pré-campanha híbrida”, o que na linguagem dos modernos quer dizer que os candidatos distribuem promessas tanto no Instagram como no mercado da Chamusca, ou no do Santo. É um híbrido sem convicção, sem substância, sem qualquer estratégia perceptível. Os partidos adaptaram-se às redes sociais c...