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Trump e o Grande Embuste do Proteccionismo

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Fui reler o que dizem os mestres Hayek, Friedman, Rothbard e Mises sobre as tarifas alfandegárias e, como sempre, a realidade não podia ser mais evidente: as taxas sobre trocas comerciais são um absurdo económico, um entrave à prosperidade e uma forma particularmente perversa de roubo estatal. Mas, claro, nada disto é novidade. O proteccionismo, esse fetiche dos políticos e dos burocratas, sobrevive não porque tenha qualquer mérito económico, mas porque serve os interesses de quem governa e dos grupos que vivem à custa do Estado. O mecanismo é sempre o mesmo. O governo, na sua infinita sabedoria, decide que deve “proteger” a indústria nacional e impõe tarifas sobre produtos importados. Diz que defende os empregos, a soberania económica e a impedir que o país fique refém de potências estrangeiras. O que realmente faz, porém, é encarecer tudo o que os cidadãos compram, reduzindo a concorrência e garantindo que os amigos do regime continuam a prosperar sem terem de competir. E quem paga...

Como TAP, EasyJet e Ryanair Voam à Custa do Contribuinte

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Um oligopólio é aquela coisa maravilhosa em que um punhado de empresas decide, entre sorrisos e apertos de mão, que o mercado lhes pertence. A concorrência? Uma miragem para enganar tolos. Os preços? Ajustados com a precisão de um relojoeiro suíço, para garantir que o consumidor, essa criatura indefesa, pague sempre o máximo possível sem ter para onde fugir. E, claro, qualquer tentativa de competição é rapidamente esmagada antes que ganhe fôlego. Na Madeira, este teatro do absurdo tem como protagonistas a TAP, a EasyJet e a Ryanair, um trio que reina absoluto sobre as ligações aéreas da região, transformando cada viagem num exercício de submissão do passageiro às suas vontades. O segredo deste domínio não está na excelência do serviço (longe disso), mas numa combinação requintada de barreiras à entrada, proteccionismo estatal e truques dignos de um vigarista de rua que tenta vender a Sé por tuta-e-meia. E, como cereja no topo do bolo, há a pérola da subsidiação das passagens para res...

Merquior e a Farsa dos Falsos Liberais

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O brasileiro José Guilherme Merquior foi uma das inteligências mais afiadas e sofisticadas do pensamento liberal no século XX. Não era um economista vulgar nem um tecnocrata fascinado por modelos matemáticos de mercado. Era um pensador de fôlego, um homem de cultura vasta, que atravessava com destreza a literatura, a filosofia, a sociologia e a teoria política. Falava várias línguas, estudou com Lévi-Strauss, doutorou-se na London School of Economics sob a orientação de Ernest Gellner, escreveu sobre Foucault, sobre estética, sobre literatura e, naturalmente, sobre liberalismo. Tinha o tipo de cultura que falta hoje aos políticos que se pretendem liberais, mas que, no fundo, não passam de pregadores de dogmas económicos ou burocratas a debitar estatísticas sobre crescimento e défice. Leram um livro ou nem isso e fazem-se de grandes entendidos. Para Merquior, o liberalismo não era uma mera doutrina económica. Era uma visão da sociedade e do indivíduo, uma defesa intransigente da liber...

O Presidente Que Escolhermos: Entre a Ilusão e o Destino

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A política, como a doença, como a velhice, como a chuva que cai devagar sobre telhados de zinco, tem uma maneira própria de se infiltrar, de se instalar nos ossos, de se entranhar na pele até se tornar parte do corpo, um tumor pequeno que cresce, cresce, cresce até tomar conta do organismo. O poder é um tumor. A ambição é um tumor. E, em cada eleição, olhamos para os rostos nos cartazes, para os nomes nas listas, para as vozes atropeladas nos debates como cães à volta de um osso, e perguntamo-nos: quem, entre estes, é o que vai governar? Quem, entre estes, vai sentar-se na cadeira e mandar? Porque não se trata só de escolher um nome. Trata-se de imaginar essa pessoa sentada no gabinete, as mãos sobre a secretária, os telefones a tocar, as decisões a empilharem-se como cadáveres numa vala comum. O Presidente do Governo é um homem sozinho. Um homem que carrega, na ponta dos dedos, o destino de todos os outros. Mas o que fazem os eleitores? Os eleitores olham para os sorrisos dos cartaz...

O Peso Cego da Maioria

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A maioria, essa coisa informe, esse bicho de muitas cabeças que se move devagar, que está em todo o lado, entrando e saindo dos cafés, dos autocarros, das repartições públicas, sempre convencida de que tem razão porque é maior, porque são muitos, porque são mais. A maioria que fala alto e ri nas esplanadas, que se junta nos comícios e acena com a cabeça, a maioria que vota e pensa que manda, que governa sem saber governar, que decide sem pensar, que segue porque seguir é mais fácil do que escolher um caminho. Lembro-me de quando era pequeno e o meu avô me dizia que o problema não era o poder absoluto de um homem só, mas a força implacável da multidão, dos que não pensam e arrastam consigo os outros, a avalanche de carne e fumo que engole os que discordam, os que hesitam, os que duvidam. “Olha, meu neto, tem cuidado com a maioria, que a maioria não perdoa, não esquece, não admite que alguém se atreva a dizer-lhes que estão errados”. A ditadura da maioria começa no trabalho, nos corr...

A Ilusão Fatal do “Investimento”

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Não há maior prova da absoluta indigência intelectual do nosso tempo do que a incapacidade de distinguir entre investimento reprodutivo e despesa corrente. Hoje, qualquer tolo com acesso a um microfone ou a uma folha de Excel convence-se de que basta despejar dinheiro em qualquer coisa para chamar a isso “investimento” e proclamar, com pompa e circunstância, o inexorável progresso da humanidade. Ou, e ao contrário, tecer loas à necessidade de investir menos e canalizar esse dinheiro para despesa. Mas a realidade não tem paciência para esta retórica pueril. O investimento reprodutivo, o verdadeiro investimento, paga-se a si próprio. O que significa isto? Significa que o dinheiro aplicado gera retorno, que cria riqueza, que produz valor económico e social. Um bom investimento é aquele que expande a capacidade produtiva, melhora a eficiência, fomenta a inovação e, no fim do dia, faz crescer a economia. A construção de um útil MetroBus, a criação de uma educação séria, a aposta em tecnol...

Por Uma Direita Gramsciana

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O estado da direita, ou do que dela sobra, assemelha-se a um cadáver mal disfarçado de entidade política. Derrotada sem glória, expulsa sem escândalo do espaço público, resiste como uma caricatura triste de si mesma, confinada a um triste ofício de contabilista, a discutir défices e impostos, incapaz de articular um pensamento que vá além da folha de Excel. Ora, sem cultura, sem um esqueleto que sustente uma ideia do mundo, não há política que resista, nem poder que perdure. Nisto, Gramsci - um comunista italiano, preso, doente, esquecido numa cela fascista - entendeu melhor a realidade do que todos os burocratas e aprendizes de Maquiavel que povoam os conselhos nacionais da direita contemporânea. Gramsci, derrotado mas lúcido, não perdeu tempo a chorar. Descobriu, antes, que o verdadeiro poder não se joga nos salões ministeriais ou nos boletins de voto, mas na cultura, nessa paisagem invisível de ideias feitas, de dogmas aceites sem discussão, de consensos que ninguém ousa questiona...