Eu, Parvo me Confesso.
Sempre que olho para a situação política da Madeira, esta espécie de tragicomédia sem catarse, esta pantomina repetida com a mesma precisão dos relógios de parede das repartições públicas, onde ninguém se dá ao incómodo de acertar o tempo porque o tempo deixou de importar, dou por mim a hesitar entre o vómito e o riso, entre o exílio mental e o insulto baixinho, sussurrado para dentro, de quem já perdeu a esperança, mas ainda não perdeu o tique de querer que as coisas façam sentido. E quando, na solidão do meu espelho, ou do café quase vazio de manhã, ou da varanda onde oiço a ilha ressonar sob o peso da apatia, quando nessa solidão me pergunto o que me leva a acreditar que ainda vale a pena, só encontro uma resposta possível: sou parvo. Um parvo sem redenção. Um parvo sem remédio. Eu, parvo me confesso. Eu, parvo me confesso. Porque ainda me dou ao trabalho de ler os programas eleitorais com a mesma atenção com que se lê uma carta de amor, e leio neles apenas a secura burocrática do e...